Adaptado do aclamado mangá de Katsuhiro Otomo, Akira foi lançado em 1988, com direção e roteiro do próprio Katsuhiro. Até os dias de hoje seu apuro técnico é tido como referência e suas diversas possibilidades interpretativas ainda podem ser investigadas e revistas.
A história acompanha a gangue de jovens motociclistas liderada por Kaneda, que em meio a uma batalha com rivais se envolve em um misterioso acidente envolvendo o exército japonês e crianças com poderes paranormais. Depois de uma colisão com uma das crianças com tais poderes, o jovem Tetsuo, membro da gangue é aprisionado pelas tropas militares e passa a fazer parte de um secreto projeto de experiências psíquicas e paranormais. Kaneda tentará resgatar o amigo enquanto esse sofrerá uma profunda mudança transcendendo a um outro nível de existência. Com poderes inimagináveis e incontroláveis Tetsuo iniciará uma jornada buscando cada vez mais poder, não exitando em usá-los contra qualquer um que atravesse o seu caminho, inclusive Kaneda e os outros integrantes da gangue que sempre o subestimaram.
Akira se passa no ano 2019 após a terceira guerra mundial, em uma Tóquio devastada por um evento cataclisma, denominada agora Neo-Tóquio. Este é o cenário que abrigará um tempestuoso clima entre políticos corruptos, militares, militantes políticos e jovens rebeldes.
O longa de Katsuhiro Otomo une como poucos o entretenimento dos animes com diversas preocupações sociais e políticas daquele país. A crítica à um governo autoritário e corrupto e principalmente a angustia dos jovens japoneses, reprimidos e tensos em busca de identidade e auto-afirmação.
Fazendo um paralelo a isto o cineasta norte americano Gus Van Sant tem em sua filmografia uma especial atenção aos jovens como nos longas “Elefante” (2003) que visita o massacre de Columbine e “Paranoid Park” (2007) que investiga a culpa que um jovem sente após acidentalmente provocar a morte de um homem. Com mais de 20 anos de seu lançamento, mesmo com outras técnicas e tecnologias, computação gráfica e 3D, o longa Akira segue sendo cultuado por velhos e novos admiradores, um clássico, contemporâneo e ao mesmo tempo à frente de seu tempo.






















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