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Argo – Crítica

Argo poster nacional

★★★★½

História, cinema e patriotismo americano se encontram

Se tem uma coisa que Hollywood gosta mais do que as histórias de underdog, envolvendo lutadores pobres, freiras, prostitutas e viciados, é falar de si mesma. A narcisista capital do cinema ama falar de si e de seu amado país. Portanto, Argo vem na receita certa para papar alguns prêmios americanos e conquistar alguns corações patrióticos – e irritar alguns esquerdistas radicais – recontando um curioso caso da história americana com doses de humor e drama.

Argo - Ben Affleck

A história do filme se passa durante a tomada do poder no Irã pelos Aiatolás e o regime dos xás. Uma penca de mulçumanos irados invadem a embaixada americana e fazem todos lá de reféns, mas seis membros conseguem escapar por uma saída pouco visível. Se forem encontrados pelos revolucionários, provavelmente serão executados como espiões e cabe ao governo americano extradita-los de lá. Eis que o especialista em extradições Tony Mendez é chamado pelo Departamento de Estado Americano para bolar uma forma de retirar os seis refugiados do país entre milhares de soldados vigiando aeroportos e fronteiras. Nesse momento, surge a idéia de um disfarce incomum, se disfarçarem de equipe de produção de um filme de ficção-científica a procura de locações, em uma aventura mais do que improvável para fugir do Oriente Médio.

Argo

Mais inusitada do que a premissa, é a direção e produção de Ben Affleck. Apesar de óbvio, ele mostra o que é preciso e se concentra nos atores para contar a história. Sem grandes firulas, sem muita criatividade, mas faz totalmente o papel e, usando os clichês diretoriais do cinema, que lhe custam meio ponto aqui, faz uma boa ambientação dos ano 80. Os grandes louros aqui talvez fiquem também com Chris Terrio pelo roteiro envolvente baseado no artigo de Joshua Bearman sobre o ocorrido. Pontos também para Affleck por se valer bastante da história “real” do ocorrido, tanto como produtor, como inserida pelo diretor nos créditos finais. Inclusive, não levante da sala e aproveite para ver fotos reais e até um depoimento do presidente dos States na época do ocorrido.

Argo - Ben Affleck

Agora, o elenco foi um show a parte. Como seus amigos hollywoodianos, Affleck convocou só peso pesado – sem trocadilhos – como John Goodman e Alan Arkin. Como seu chefe o mais que renomado Bryan Cranston. Entre os refugiados, Affleck fez questão de usar nomes menos reconhecidos, mas não menos talentosos como Tate Donovan e Clea DuVall. Foi uma junção de peças genial que rendeu também um ótimo filme, cheio de aparições especiais e uma sensação de época muito interessante. Talvez estes sejam os grandes trunfos para um filme histórico nesses patamares.

Argo - Ben Affleck e Bryan Cranston

Em Argo, vemos não apenas todas as referências e fatos históricos mais marcantes muito bem representados, como o lado humano e dramático da coisa. Você sente o medo dos persoangens assim como a tensão internacional. Você ri com o alívio cômico e sente o c* mais que trancado de pessoas que podem ser torturadas e executadas por extremistas islâmicos em uma ~montanha russa~ de gêneros dramatúrgicos. O mais fantástico é que Affleck conseguiu se sair melhor com essa alteração de gêneros, comédia e drama, do que muito diretor mais consagrado, como J.J. Abrams em filmes como Super 8, onde não conseguiam definir se era Conta Comigo ou E.T. a pegada da película.

Argo - John Goodman, Alan Arkin, Ben Affleck

Não bastasse todos esses pontos a favor, Argo explora os dois assuntos favoritos do Oscar: história de pessoas ferradas baseadas em fatos reais AND a masturbação egóica  da meta-linguagem hollywoodiana de ficar falando sempre sobre si mesma, seja denegrindo-a comicamente ou a colocando como grande “espiã” e salvadora nos anos 80. Tudo para agradar as “divas” da academia. Também tem tudo para agradar todo mundo, já que o filme foi uma das enormes surpresas de público de 2012, rendendo bilheteria exorbitante para sua expectativa e dando o primeiro grande blockbuster diretorial a Ben Affleck. “Argo fuck yourself” – entendedores entenderão.

Ou seja, visto isso e todas as outras vantagens que não colocarei aqui por falta se saco/spoilers, mais do que recomendado que assistam o filme se ainda estiver passando pela sua cidade e peço mil desculpas pela crítica tardia, mas sabem como é, tocar um blog desses em época de TCC é mais difícil que passar a perna em extremistas islâmicos irados. 😉

 




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