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Cisne Negro – Crítica

Cisne Negro

★★★★½

Para quem almeja a perfeição… quase perfeito.

Todo o hype em torno de Cisne Negro provavelmente vai lhe garantir algumas estatuetas, mas nem todo o fanatismo por balet, problemas psicológicos, picuinhas de “adolescentes” e politicagem hollywoodiana vai render as 5 estrelas que todos devem estar esperando para a película. Por motivos óbvios e, as vezes, não observados. Uma bailarina em ascensão se vê constantemente pressionada a superar os passos de sua predecessora, enquanto se vê frente a um tipo de complô de sua companheira para tomar seu lugar e começa a questionar sua própria sanidade. Na verdade, ao longo do filme, todos questionamos…

Natalie Portman em processo de se tornar o cisne negro

Nat encarnando o "Tinhoso"

A nova cria de Darren Aronofsky, depois de todo o sucesso de O Lutador em 2008, vem não para ficar novamente nas posições de menor destaque no podium, mas para arrasar com a concorrência mostrando excelência em todas as suas áreas. Da edição, aos efeitos especiais, a trilha sonora, figurino, atuação. Tudo que foi orquestrado pelo mesmo, resultou em um produto final sem igual. O roteiro de Mark HeymanAndres Heinz deram o tom certo e o passo intenso de suspense ao filme, que deixa você o tempo todo se duvidando sobre o que é real e o que é fantasia. Em uma viagem no inconsciente das pressões do cotidiano, Aronofsky consegue retratar com maestria o que são os delírios e alucinações de uma esquizóide em pele de obssessiva compulsiva. Dá até gosto de pensar que ele vai criar o próximo filme do Carcaju – The Wolverine.

 

A beleza e contradição do ser humano

Natalie Portman impressiona em suas diversas facetas e magistralmente mesclando todas elas

Em segundo lugar, ninguém melhor que Natalie Portman. Já portadora de um Globo de Ouro, forte candidata a ganhar a estatueta do careca dourado. Ela passeia entre as inúmeras facetas, angústias e surtos necessários para mostrar o âmago da história. A história também parece simplista, mas no ato de contar é tudo menos isso. Portman dá vida a personagem, dos seus momentos de luxúria a sua inocência irritante. Da sua submissão patológica a sua rebeldia aparentemente sem fronteiras. Belíssimo trabalho que exigiu da atriz muito empenho, emagrecer ainda mais e colocar suas próprias capacidades em teste. Finalmente no panteão das grandes.

Mila Kunis, provando mais uma vez que não é só um rostinho bonito.

Mila Kunis traz movimento ao filme e luxúria de um verdadeiro "cisne negro"

O resto do elenco não fica atrás. Mila Kunis realiza os maiores fetiches da platéia encarnando um “cisne negro”, seja nos palcos, seja não tão polêmica cena de sexo. E Vincent Cassel me traz tremendo ódio e inveja, por saber que ele não só pega ambas com gosto na película (#josemayerfeelings), como vai para casa carcar a Monica Bellucci. Ódio mortal. Winona Ryder faz breve, mas marcante aparição, mostrando que os anos não foram gentis com ela, mas foram gratos a sua capacidade de atuar. Talvez quem mereça reconhecimento e passe desapercebida seja a mãe da protagonista, interpretada por Barbara Hershey. Medo dessa mulher.

 

Barbara Hershey supreende

Consegue acompanhar Natalie Portman ao mesmo tempo inspirando medo e carinho

Por último, mas não menos importante, fica a dica de que… a tentativa de imperfeição denuncia o verdadeiro obssessivo. O discursso dos protagonistas cansa e as obviedades as vezes gritam na tela. Claro que Aronofsky fez o possível para tornar tudo interessante, cheio de suspense e bem produzido, mas a narrativa poderia ganhar um tapinha para poder engatar e mostrar que nem tudo que o ballet toca precisa se desenvolver tão lentamente quanto as introduções de certas peças. No ritmo e na repetição, tanto diretor quanto roteiro se perdem um pouco e acabam caindo no público e notório. O encerramento poderia ter sido melhor também, mas não entremos nisso. O filme é bom, extremamente recomendado e alguns profissionais merecem suas estatuetas, mas… não é isso tudo também, galera.




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