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Django Livre – Crítica

Django Livre cartaz nacional

★★★★½

Polêmico, sanguinário e… o “D” é mudo.

Complicado discutir uma obra de um diretor lendário. Alguns o criticam por excesso de sangue, outros por seu tom talvez um tanto quanto pastelão, mas ninguém pode dizer que Quentin Tarantino não fez história no cinema. Depois de homenagear a cultura japonesa em vários níveis, os antigos filmes de guerra reescrevendo o final da Segunda Guerra, Tarantino chega de novo com um de seus filmes mais bem humorados, canastrões e racistas possíveis. Não, não estou tomando as dores de Spike Lee, mas vou tentar explicar porque achamos também um filme sobre chacina, escravidão e “escrotice” algo tão divertido.

1138856 - Django Unchained

Django Livre é muito simples, citação ao personagem clássico de faroeste spaghetti italiano interpretado por Franco Nero, na reimaginação de Tarantino… Django é um escravo, libertado pelo Dr. King Schultz, um dentista que virou caçador de recompensa e está atrás dos irmãos Brittle. Como Django é um dos poucos que conhece seus rostos, Schultz faz um acordo com ele, ajuda-lo a capturar os três fugitivos da justiça e ele o ajudará a recuperar sua mulher, Broomhilda Von Shaft das mãos de um inescrupuloso fazendeiro sulista responsável pelas maiores lutas entre escravos dos EUA.

Django Livre - Quentin Tarantino

Comentar Tarantino é impossível, as dezenas de referências a diretores, de Sergio Leone a Sergio Corbucci, nos anos 60 e 70, com referências obscuras que contei as dezenas, mas com certeza devem chegar as centenas, enquanto refaz o tema do filme mais que anos 60 em um mega hip-hop no melhor estilo ~muthafucka~. Angulos impossíveis, tomadas dignas do pastelão mais exagerado e até mesmo a direção de atores trazendo trejeitos que não víamos no cinema por pelo menos 40 a 50 anos. Tarantino reviveu um estilo a muito esquecido e, com uma certa “licença poética” e novos ares, o público parece ter gostado consideravelmente. Trilha sonora reformulada com tomadas das antigas, talvez o que nos faça lembrar de um filme moderno seja o excesso de gore, nudez ou a irrealidade da situação. A bem da verdade é que o que Tarantino precisa melhor manipular, ele consegue, o racismo. Só ele conseguiria fazer uma reunião da Ku Kux Klan parecer algo ridículo e ser tratado como um verdadeiro quadro de Saturday Night Live.

Django Livre de Quentin Tarantino

Franco Nero e o encontro entre “lendas”

Alguém consegue imaginar um diretor que tenha usado tantos termos politicamente incorretos, feito platéias rirem histericamente de um escravo sendo opressor com outros escravos ou que após basicamente mostrar um homem ser destroçado por cães em cena, ainda seja agraciado com várias indicações ao Oscar? Tarantino consegue brincar com a história, o cinema, o gosto do povo por sangue e ainda se safar com isso. Não estou dizendo que ele esteja errado, pelo contrário, isso é uma arte, por falta de definição melhor, Tarantinesca. O cara que fez assassinos desalmados virarem super-humanos, matou Hitler e agora faz a escravidão parecer uma sit com, não pode ser desconsiderado.

1138856 - Django Unchained

Claro, sempre vão ter aqueles que acham isso extremamente ofensivo, mas para estas pessoas recomendo estarem mais em contato com a natureza do ser humano. Django dá aquilo que as pessoas querem, com classe e respeito: sangue, humor e catarse de ver os bandidos levarem o que “merecem” na hora certa do filme. Isso sem falar que sua escalação de elenco é simplesmente impecável. Arriscou com DiCaprio, ousou com Samuel L. Jackson e, principalmente, soube reconhecer um de seus favoritos atores, Hans Landa Christoph Waltz, que volta agora no exato mesmo papel do filme anterior, mas do outro lado da navalha. Ao invés de opressor, é o libertador, o ajudante, quase o pivô da história que facilita todos os desenrolares, até os mais improváveis. Fiquei triste por Zoe Bell, dublê favorita e uma das atrizes que mais estrelou filmes de Tarantino até hoje, fez pequena participação, apenas com os olhos, e dando mais referências ao longo do terceiro ato do filme. Parabéns Kerry Washington também.

Django Livre

Seja com um humor duvidoso, jogadas improváveis ou diálogos impensáveis, Django Livre consegue fazer quase 3 horas de película parecerem menos de uma hora e meia. Conseguiu um entretenimento raso? Talvez, mas muito mais divertido do que vários outros filmes em cartaz e uma reflexão no ar. Como podemos rir tão intensamente de piadas e referências que denigrem tanto e reforçam tanto nosso gosto pela discriminação racial e ainda se adorar o canalha por isso? Mea culpa aqui, mas é algo que me deixou pensando ao final da sessão. Sim, Spike Lee exagerou por exigir um filme sem a palavra “nigga” sendo que na época não existiria outra forma a se referir aos escravos, libertos ou não, mas é bom um toque de pensamento sobre do que estamos rindo e, principalmente, porque estamos rindo. Ainda assim, Tarantino eternamente genial em saber conquistar o público, ataca novamente.

Django Livre

Sangue nas mais lindas locações que Tarantino já usou.

Claro que vocês devem assistir e vai novamente se tornar capítulo decisivo na carreira de Quentinho Tarantella, inclusive no seu currículo de ator. 😉 Mas se não gostaram de seus outros trabalhos, não insistam, até mesmo se seu gosto é por westerns italianos das antigas. De qualquer forma, fique até depois dos bacanudos créditos. Tem um ceninha relâmpago no final. Detalhe: Mais uma trilha que TENHO que possuir. Boa sorte e lembrem-se… O “D” é mudo.

JANGOOOOOOOO… blen blen bleeennnnn




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