




Era do Gelo 4 degela Pangea mas não vai esquentar as bilheterias
Começo a acreditar piamente que era Carlos Saldanha que dava o toque divertido a saga dos bichinhos extintos da Fox. Não que o filme seja horrível, até diverte relativamente a garotada e pode ser uma opção nas férias, mas os arcos de cunho fraco, o excesso de clichês, a obviedade das piadinhas pastelão e recursos de “fofurice” meio que tornam Era do Gelo 4 uma aventura mais do que óbvia, mesmo em seu 3D ostensivo.
No novo capítulo da franquia, o mamute Many e seus companheiros, são separados de seus amigos e famíliares durante o evento cataclísmico de movimento dos continentes e degelo. Agora, Many, Diego, Sid e sua respectiva vovozinha também abandonada pela família, estão a deriva em um pedaço de gelo e terão de lutar contra os elementos da natureza, piratas e sua própria falta de noção, para achar o caminho de volta para casa.
O fodáximo diretor brasileiro Carlos Saldanha abandonou o navio para dirigir obras muito mais épicas de animação, como Rio. No seu lugar ficou Steve Martino com Mike Thurmeier, que juntando os 2 não dão meio Saldanha. O filme perdeu muito em comédia e ritmicidade. As gags visuais não eram apenas óbvias, mas mal engendradas. Se no pouco que acertaram, foi em tentar usar mais o 3D e implementar ao longo do filme, mas a fórmula usada também foi batida, com uso de primeira pessoa mais do que em implementação na atuação. Nem vou comentar o fraquíssimo roteiro e a falta de construção e trabalho de personagens, tirados de uma cartilha padronizada de roteiristas para filmes infantis. Uma lástima nesse ponto.
A dublagem, por outro lado, é sempre bom trabalho. Dessa vez optei pelas cópias dubladas ao invés das legendadas, porque por mais que eu adore Ray Romano, Queen Latifah, John Leguizamo e o fodáximo Peter Dinklage na voz do vilão, não podia desprezar nomes como Diogo Vilela e Tadeu Melo nas vozes icônicas de Many e Sid, mesmo com a perda de Miguel Falabela para Marcio Garcia no tigre Diego. Notas de parabéns novamente para a experiente dubladora da Vovó Turrona, Nádia Carvalho, que tem uma dublagem distinta e inconfudível. Já no trabalho de CGI, apesar de boa caracterização dos animais – que devem vender horrores em merchan – não notei muitas novidades no lado visual de construção dos personagens.
O ponto alto realmente fica no personagem da vovó, que salva a película assim como a doninha insana de Era do Gelo 3. Os personagens já completaram seu ciclo, já fizeram o que tinham que fazer, mas Hollywood não os deixa se estinguirem em paz, por falta de criatividade em criar personagens melhores e tão divertidos quanto estes. Many, o protagonista e pivô das histórias anteriores, já cumpriu seu ciclo, já formou sua família, já encontrou seu sossego, mas os produtores não o deixam simplesmente seguir para a próxima etapa do ciclo reprodutivo na natureza: Morrer. Quando personagens fecham seus arcos de história, ressucita-los se demonstra nada mais do que desnecessário. Talvez uma aparição bacana em outra produção, pudesse ser legal, mas já chega, não acham?
A Fox perdeu Saldanha, perdeu o rumo, perdeu a linha com essa franquia. Já contrariando muitas opiniões, não tinha achado Era do Gelo 3 aquelas maravilhas, apesar de ter dado umas boas risadas. No quarto capítulo da franquia, até isso fica em segundo plano. Tirando a Vovó de Sid, eu teria realmente cochilado no cinema, algo quase inédito para a minha pessoa, mesmo quando em privação de sono intensa. Isso é apenas um termômetro, não para que vocês evitem o filme, mas para que os produtores tentem notar que o público, especialmente o infantil, está de olho e quer algo de qualidade.
Tivemos o privilégio, mais uma vez, de observar o lançamento no Brasil duas semanas antes de no exterior. Aproveitem esse aviso com antecedência para evitar gastar dinheiro desnecessário em um 3D extenso, mas mal empregado, e uma história que não vai lhe dar tantas risadas ou opções de deleite visual como Madgascar 3, por exemplo. Temos opções melhores para levar a criançada nessas férias. #ficadica Por favor, o quarteto da Dreamworks desbancou até Ridley Scott nas bilheterias. Não vamos nem comparar, né?
Melhor ponto do filme: o curta metragem dos Simpsons que passou antes do filme, emocionando a plateia e mostrando que bons personagens e histórias não precisam sequer de diálogos. Digno dos antigos curtas da Disney Pixar, se brincar melhor ainda.










![Poster de [REC] 4 – Apocalipse REC 4 - Apocalypse](http://www.cinemista.com.br/wp-content/uploads/2013/05/971832_487636541308627_932421738_n-60x60.jpg)









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