http://www.cinemista.com.br/wp-content/uploads/2012/04/Furia-de-titas-2_01.jpg

Fúria de Titãs 2 – Crítica

★★★½☆

Deuses recauchutados

Eu sei que muita gente torceu o nariz para o primeiro filme, mas achei levemente divertido, apesar de forçar a barra. Para mim o melhor era Gemma Arterton sendo gostosa e fazendo alívio cômico/romântico com o protagonista sem sal. Dessa vez tiraram o melhor para mim, mesmo assim achei superior ao primeiro por vários N motivos, incluindo um 3D levemente melhorzinho e atores melhor desenvolvidos – além de seus respectivos personagens – apesar de continuar uma galhofa, mas… uma galhofa divertida.

Dessa vez, em Fúria de Titãs 2, acontece uma traição entre os deuses. Hades, como sempre, trama contra seus irmãos Zeus e Poseidon, mas em uma reviravolta, acaba conseguindo tomar um certo “poderio” que subjuga o Deus dos deuses e ameaça libertar os titãs, começando por seu pai, Cronos. A última esperança da humanidade é o semi-deus Perseu, filho de Zeus, que terá que lutar ao lado da rainha Andrômeda e de outro semi-deus de conduta duvidosa, Agenor, para salvar o mundo da libertação de Cronos. Enquanto isso, Perseu tem que lidar com o dilema entre levar seu filho para o caminho da guerra eminente, ou mantê-lo distante e se abster do conflito.

Jonathan Liebesman, entre pais e filhos

Louis Leterrier deixa a direção para ficar na produção, enquanto Jonathan Liebesman assume o papel. Melhora 500%, definitivamente, mas não que isso faça do filme uma obra autoral defintiva. Pelo contrário, o Dan Mazeau e David Johnson também não melhoram infinitamente em relação ao primeiro, mas esse trio de direção/roteiro acaba criando uma fórmula com mais comédia, melhor requinte visual e características muito mais desoladoras. Por mais que estejam com vários furos, que discutiremos futuramente, o clima de fim de mundo alcançado por esses três, com certeza vai tocando aos poucos, apesar de que o filme obviamente encaminha para um final galhofa e previsível. Ninguém é perfeito, não é mesmo?

Volde... ops, Hades na pele de Ralph Fiennes manda muito.

Enquanto Liam Neeson volta no seu papel de Qui-Gon Gin Zeus, bem limitado e estranhamente vulnerável, como sempre, o fodáximo Ralph Fiennes vem com sua ótima atuação, obviamente limitada pelo roteiro, mostrar com quantos paus se faz um Olimpo. A discrepância entre os dois “irmãos olímpicos” só não é maior por falta de tamanho de tela. Sam Worthington até tenta fazer algo dramaticamente grego, mas ele não tem muita expressividade, né coitado? De resto só quero dizer que já achava e continuo achando Rosamund Pike uma tetéia, e ela até tem algum potencial para atuação, mas não vi seu filme mais marcante nesse quesito, então vou me abster de maiores comentários. O melhor é ver o eterno e super talentoso Bill Nighy fazendo breve aparição, mas muito divertida. Quem mais me chamou atenção entre todos do elenco foi o ator Toby Kebbell, no papel de Agenor. Responsável, em maior parte, pelo alívio cômico, consegue convencer tanto nesse quesito, quanto no termo de “herói de ação”. O melhor nisso tudo é que ele está anos luz distante do esteriótipo estético para qualquer uma dessas duas funções, mostrando que para atuação não se precisa necessariamente de rostinho bonito. É Hollywood ousando no casting, coisa realmente pouco vista. Como esse é um de seus papéis de maior destaque desde Príncipe da Pérsia, tomara que ele pegue outros papéis no gênero e evolua.

Toby Kebbell, grande revelação do filme no papel de Agenor

No mais, a franquia nunca rendeu muito o que dizer. As discrepâncias da história e até na conceituação visual são muito bizarras, mas da ação e a construção das cenas ninguém pode reclamar. Quer dizer, quem imaginaria um titã como Cronos, uma alegoria filosófica grega ao tempo implacável e cruel, como sendo na verdade um monstro de antigas séries nipônicas no formato de um vulcão? Coisas bizarras que já chamavam atenção no trailer e no poster, mas… Sempre mantemos aquela esperança da história caminhar para o melhor. Lado positivo do roteiro é explorar as nuances da relação pai e filho, apesar disso ser tão forçosamente colocado, que em certo momento começa a ficar chato. Daddy issues demais também atrapalha.

No melhor do ponto positivo é que, ao contrário do primeiro filme, o 3D foi ligeiramente melhor emprego nas cenas de batalha, me fazendo pensar que não fui completamente otário em escolher o 3D. Claro que não tem o impacto do 3D do trailer, mas ainda assim está anos luz a frente do 3D convertido usado no primeiro filme. CGI foi levado a sério aqui e outros aspectos técnicos, como figurino, locações, etc, estão muito bem empregados. Tem tudo para ser um filme de ação divertido, mas não vá com seu chapéu pensante para o cinema. O fato de seguir a mesma linha de história do primeiro filme também não colabora para isso. Recomendado se não tiver nada melhor para assistir. A reciclagem olímpica fez esse ser melhor que o primeiro, mas muito longe de ser algo digno de “deuses”.

Bill Nighy e ao fundo uma relíquia que remete ao original




Comentários

  1. [...] Gênero: Ação, Aventura e Fantasia Direção: Jonathan Liebesman Roteiro: David Leslie Johnson e Dan Mazeau Veja a crítica completa no Cinemista [...]

})(jQuery);