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Garota Exemplar – Crítica

Cartaz Nacional de Garota Exemplar

★★★★☆

Comédia de humor negro mais do que exemplar

Com os olhos do mundo em cima de suas performances, Ben Affleck está sendo mais do que exigido depois do Oscar para Argo e a escalação para viver um Batman mais coroa nas telonas. Mesmo assim, Garota Exemplar se sobressai por si só trazendo atores menosprezados e personagens fortes, com uma reviravolta no meio do filme que pode, ou não, estragar ou aumentar toda experiência de um thriller para os espectadores.

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O filme dirigido por David Fincher tem suas características básicas, com fotografia pesada, apesar de óbvia em alguns momentos, mas sabendo tocar o coração do espectador no momento certo. Além de trabalhar pela enésima vez com uma história que tem um plot twist muito fodáximo. Ele sabe como arrastar suas histórias e dar falsas pistas para os espectadores, como em Clube da Luta ou Seven. Recentemente tendo trabalhado mais em House of Cards do que em filmes, ele volta dispensando seu ator favorito, Brad Pitt, para investir em um novo tipo de dramaturgia suburbana, mas sem perder talvez outra de suas características mais básicas, a trilha sonora sutil mas bem chamativa.

O ponto forte desse filme, ao contrário de outros de Fincher, é diluir o talento dramatúrgico em diversas pessoas e em diversos momentos do filme. Rosamund Pike finalmente pode mostrar todo seu talento como a imprevisível Amy, enquanto Ben Affleck parece o mesmo cara envelhecido das comédias de Kevin Smith, pronto para se tornar um suburbano nerd qualquer, jogador de video game e escritor falido. Mas todos os atores e atrizes com papéis menores parecem meio que carregar o filme. Neil Patrick Harris, Tyler Perry, Kim Dickens e Carrie Coon (que eu acredito que teria ficado melhor deixando o espaço para Tina Fey nesse caso) foram fantásticos em suas participações e realmente ganham a simpatia ou antipatia do público na hora certa. Com certeza um filme autoral no que cerne ao elenco.

GONE GIRL, from left: Ben Affleck, Rosamund Pike, 2014. ph: Merrick Morton/TM & copyright ©20th

Com 97% no Rotten Tomatoes e 8,6 no IMDB, além de segurar primeiro lugar nas bilheterias por dois finais de semana seguidos, é difícil argumentar que ele não seja sucesso de público. O que talvez atinja tão certeiramente as pessoas? A sinceridade do filme. Apesar de suas reviravoltas mirabolantes e fantasiosas, o filme fala sobre casamento e sobre o quanto uma pessoa pode levar a outra a loucura nas pequenas coisas do cotidiano. Não sabemos do que realmente somos capazes ou quem realmente somos até 5, 10, 20 anos de casados? É com esse folclore do cotidiano que o romance de Flynn – adaptado pela mesma – ganha as telonas e os espectadores. Mas, acima de tudo, existe uma leveza para quem quer levar a história como pitada de humor negro.gone-girl-04

O filme poderia ser facilmente uma dramédia a medida que as reviravoltas e cada personagem fica mais claro no decorrer da história. Em seus estereótipos é difícil torcer para qualquer um deles, ou chamar qualquer um deles de heróis ou anti-heróis. As vezes você torce por alguém que é claramente vilanesco e na mesma hora compadece de outro e volta a querer que o primeiro seja punido pelo que fez e você achou tão legal. Essa montanha russa de sentimentos é que te leva a querer sempre mais da história e faz as 2 horas e meia de filme parecerem meia-hora de um curta metragem. Sim, o tempo de filme me assustou, mas somente antes de assistir.

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Nesse sentido, se encarar Garota Exemplar como uma comédia de humor negro e não um simples thriller ou drama, vai se divertir muito mais que a média, entendo que a realidade do matrimônio não vira um thriller e sim uma situação de cotidiano, porque já levamos a vida a sério demais.




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