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Guerra é Guerra – Crítica

★★½☆☆

Comédia unisex

A fantasia que permeia o imaginário feminino, de dar o troco nos bigamos do mundo, ganha roupagem hollywoodiana décadas depois da obra de Jorge Amado ter explorado muito bem isso. Infelizmente, não com a mesma sensibilidade e inteligência do escritor baiano, mesmo assim, a história da bela e fofurets executiva levando na flauta dois espiões enquanto é ela mesma espionada acaba por conquistar homens e mulheres, já que explora conceitos de relacionamento comuns aos dois mundos: a competitividade masculina entre amigos e a conquista feminina de pretendentes.

Em Guerra é Guerra, Lauren Scott se vê em uma profunda espiral de solidão depois de um relacionamento fracassado, enquanto os agentes Tuck e FDR se sobressaem profissionalmente e pessoalmente tem estilos completamente opostos de lidar com as garotas. Enquanto Tuck faz o tipo romântico e emotivo, FDR está mais para o mulherengo misógino. O que eles não esperavam, era cruzar caminhos com Lauren e surpreendentemente se envolverem com a mesma, simultaneamente. Ao descobrirem, começam um tipo de disputa pela garota, que pode ter repercussões mais do que perigosas.

McG

E todo o filme está aí e em uma costura sem fim de piadas feitas por Timothy Dowling e Simon Kinberg no roteiro. A direção foi até acertada se pensarmos que o lance de McG sempre foi ação e ele parece ter encontrado seu lugar no mundo da espionagem – bem melhor do que no mundo da ficção científica – aproveitando razoavelmente os recursos, mas sem absolutamente nenhuma novidade. O roteiro é previsível e a direção batida, mas ainda rendem umas risadas. Talvez o melhor do elenco seja ver alguns atores trocando tanto das suas posições tradicionais de escalação.

Chris Pine mantém um pouco do mesmo. Praticamente em uma reprise de seu papel como Kirk, ele é aquele mulherengo meio inconsequente e imaturo que sobra em coragem. Colírio para os olhos das moçoilas, deve bastar para conseguir uns suspiros. Já Reese Witherspoon deixa seu papel de mocinha singela e virginal para ser a cafa que enrola os dois rapazes, sem saber que não está enrolando ninguém na verdade. Raras ocasiões em que podemos ver ela no papel de femme fatale, contrastando com suas nuances “girl next door” de todos os filmes anteriores. Lembra os áureos tempos de Election em começo de carreira. E a cereja do bolo fica para o camaleão Tom Hardy, que parece ser capaz de convencer em qualquer papel. Agora totalmente fora de sua área comum, banca não apenas o galã E CONVENCE, como também faz o tipo sensível e romântico, coisa que nunca pode jogar em seus outros papéis de destaque. Quer dizer, de Inception a Cavaleiro das Trevas, onde já se encaixou um cara romântico assim? Genial. O mais divertido é ver Til Schweiger como bandidão, só conseguir enxergar o Hugo Stiglitz de Bastardos Inglórios e ainda torcer para o cara matar um dos 3 panacas acima citados. =D

Mas, também a genialidade do filme para por aí. É uma série de frases clichês, que se tornam mais críveis por conta da boa atuação de Hardy e Witherspoon. Realmente é um filme unisex pelo seu trabalho nos dois universos, seja na competitividade masculina, como no maquiavelismo feminino realizando sua catarse de ter dois galãs espiões internacionais a seu dispor. Um filme coringa feito para agradar todos os gostos, ter uma boa bilhetria, mas principalmente arrasar nas locações e vendas em DVD. E é exatamente onde recomendo que gastem seu investimento, na locadora/itunes/tv a cabo. Não é um filme que exija a fodacidade da telona ou mesmo que mereça todo esse investimento, apesar de ser bastante divertido.




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