Homens de Preto 3 – Crítica

Publicado por Fernando Quirino. Postado em Crítica

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Publicado em 29 de maio de 2012 com 2 Comentários

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★★½☆☆

Menos teoria de conspiração, mais água-com-açucar

Mais de uma década atrás, um novo mundo se abriu diante de nossos olhos com a concretização do que qualquer teorista da conspiração adoraria desvelar: a existência de uma organização americana que esconde os segredos do universo dos cidadãos comuns. Agora eles voltam tentando cativar o público com uma nova premissa, a velha amiga da ficção científica: viagem no tempo. Só que, apesar de um bom trabalho com os personagens, ainda falta aquele caráter inovador e embasbacante que cativou tantas pessoas, talvez em uma época mais inocente.

Homens de Preto 3 mostra como, em meio a um caso que revolve antigos demônios do passado, o agente K simplesmente sumiu da existência e a história conta que ele foi morto a mais de 40 anos. Seu parceiro, agente J, tem que voltar no tempo e descobrir o que exatamente aconteceu na história de seu parceiro que mudou para sempre a história de suas vidas e, enquanto isso, colocou o futuro da Terra em perigo eminente de uma invasão alienígena.

 

Barry Sonnenfield, tão alienígena quanto qualquer um dos figurantes do filme

A premissa é simples, mas os furos no roteiro são enormes. Aparentemente Etan Cohen perde seus super-poderes de roteirista sem seu irmão por perto. A história até tem um pouco de toque emocional e desenvolvimento de personagens, mas as cagadas, tanto científicas quanto de história, são muito grandes para ignorar. Mas, algo que não podemos ignorar também é o requinte visual com o qual Barry Sonnenfeld tratou o roteiro. Realmente um bom trabalho, além de seu trabalho com os atores. Tudo bem que a trilha sonora poderia ter sido bem melhor e a expectativa era alta. Tirando isso, foi um bom trabalho diretorial com um texto bem pobre.

Emma Thompson sua LINDA, sempre mandando bem.

No quesito atuação, temos lá nossos altos e baixos. Enquanto temos atores fodáximos, como Will Smith e Emma Thompson, dando um show, sejam no filme todo ou rápidas aparições, por outro lado temos outros um tanto quanto indiferentes. Tommy Lee Jones é uma figura carismática, mas também não é dos mais criativos na atuação. E uma grande birra minha foi a escolha de Michael Stuhlbarg para o papel inédito que teve que interpretar. Seu trabalho ótimo em Um Homem Sério, virou um personagem deveras caricato, quando deveria ser muito mais tocante. Também chamar atenção para Alice Eve, que está com 2 filmes em cartaz e acho gostosa bagarái, apesar de também aparecer pouco no filme, como a versão de jovem de Emma Thompson.

Rick Baker e sua magia

Vamos ao que interessa aqui. Se pararmos para pensar, quando MIB estreou em 1997, explodiu cabeças transformando todos os pequenos mistérios do nosso cotidiano em um universo secreto conhecido por poucos. De lá para cá, a franquia foi explorada a exaustão e, o que era uma peculiariedade divertida, acabou se transformando em uma repetição enfadonha. Sequências, desenhos, merchan… Nem todo o carisma de Smith com toda a inexpressividade de Tommy Lee Jones, são capazes de salvar uma fórmula cansada com um roteirista medíocre. Claro que só o saudosismo e algumas gags no meio do filme já valem algumas risadas e já comovem os fãs, mas não vai passar muito disso. O fato é que eu achei legal por alguns fatores isolados e não pelo conjunto da obra. É fácil imaginar que aqueles mais desacostumados, nem com isso vão se sensibilizar, pois não tem referências de comportamentos dos personagens ou podem desfrutar da campanha de forma familiar.

Josh Brolin não consegue ser tão inexpressivo quanto Jones, sua versão envelhecida

Considerando que boa parte da geração consumidora de hoje nasceu pouco antes do primeiro épico filme, não vai ter aquela identificação básica, portanto, levando o filme em uma espiral para a chatice ao invés da comoção. Nem mesmo o papo furado misturando 3 linhas de pensamento diferentes sobre tempo-espaço vão cativar. De qualquer forma, é uma nota razoável dizer que é um filme ainda assim divertido, talvez não “cinema” divertido. E por falar em cinema, caso teime em assistir, evite o 3D.

Sobre Fernando Quirino

Psicólogo em formação e "cinemista" nerd de carteirinha.

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