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Lincoln – Crítica

Lincoln Poster

★★★★☆

Assim como na história, um filme cheio de pesar, ressentimento e dúvidas…

Ao longo dos dias da semana de estréia de Lincoln, qual não foi a minha surpresa ao ver uma série de críticas a uma série de característias do diretor, da trilha sonora, da caracterização da figura histórica do presidente americano, entre outros dissabores, de forma pejorativa? Digo a estes apenas que um toque de bom senso, entendimento e abarcar a cultura americana é um mínimo necessário ao se colocar os olhos sobre uma obra de tamanho valor histórico para determinado povo. Enquanto uma obra não perfeita, muito menos é tão falha em seus pontos menos fortes.

Lincoln

Lincoln segue momentos obscuros ao longo da carreira presidencial de Abraham Lincoln, em sua busca pela aprovação da 13ª emenda constitucional, que promulga a abolição da escravatura nos Estados Unidos, enquanto se debate com a busca da paz para a Guerra Civil, que dura quase 4 anos entre norte e sul do país.

O filme de alto teor político, vem de um livro que tem no subtítulo “a genialidade política de Abraham Lincoln”. Dado esse curioso fato, que muitos críticos brasileiros tenham se forçado a deixar passar, tenho que admitir que apesar de nada ousada, a direção e adaptação de Spielberg pelas mãos de Tony Kushner a essa fonte não fez em nada um assalto a história – do ponto de vista americano – pois ele não mais endeusou o líder americano tanto quanto os próprios americanos o endeusam, desde suas premissas de “liberdade” propostas no ensino fundamental gringo, até suas propagandas culturais vastamente aplicadas por todo o mundo. Ele não só teve toda sua trajetória similarmente colocada como messiônica – talvez insultando alguns historiadores e “não-americanos” mais críticos – por uma necessidade cultural, mas também por demanda histórica de uma nação, de heróis que reforcem esse patriotismo. Spielberg nesse ponto acertou em não ousar, pois de nada ganharia irritando uma nação em plena época política de reinado do partido demcrata nos Estados Unidos. Partido este demonificado no filme, mas que hoje apoia os mesmo ideais antes promulgados pelos republicanos naquele período.

Lincoln

John Williams dessa vez decidiu ser sutil e nada épico, deixando seus metais para o final e fazendo uma nova linha de trilha, que talvez seus críticos mais ferozes não tenham notado. Seguindo a premissa de “jovens” como Michael Giacchino, um dos meus favoritos da nova safra, decidiu pela sutileza, para não roubar o “trovão” do ex-presidente Lincoln. Mas, nada disso desmerece o principal triunfo do filme, seu elenco. Todas atuações são vorazes e estão disputando seu lugar ao sol. Não apenas Daniel Day-Lewis está sendo justamente ovacionado pela sua transformação de corpo, voz, alma do personagem, como Sally Field e Tommy Lee Jones – este último raramente fugindo do papel de rabugento padrão – conseguiram espremer suas vêias artísticas como bons “escadas” para a sutileza e proeza do protagonista. Sally Field soube mais uma vez “sofrer” com dignidade. Isso sem falar em outras tantas boas atuações, mas que desmereceram o tempo de trabalho de seus personagens. Aqui apontaria o quase irreconhecível, mas nunca antes tão carismático, James Spader e o trabalho do pouco notado ator de longa tradição, David Strathairn.

Lincoln

E então, obviamente, vemos os deslizes da mão conservadora de Spielberg que, apesar de tudo, tem seguido sempre uma linha mais política em seus últimos filmes. Apelando demais para o sentimentalismo como sempre, as vezes tio Steven acerta em levantar algumas discussões políticas. Seu maior deslize, nesse caso, seria na edição repetitiva para retratar o presidente amigável, jocoso e humano de Daniel Day-Lewis. Também outro momento, que talvez esteja mais na adaptação de , seja a forma de retratar, nos diálogos, uma dinâmica confusa de personagens, especialmente aqueles em torno do presidente, que sempre tem que demonstrar seu medo, mas que as vezes os fazem de forma conflitante.

Lincoln

Não vou discutir o sentimento ultra-nacionalista, as licenças poéticas de forma a endeusar uma figura mais do que mítica da cultura americana, ou mesmo alguns pontos de debate histórico que são levantados no filme, como a igualdade e liberdade. Se realmente não querem ver americanos batendo nessa tecla, parem de ver filmes americanos. Até mesmo os mais “desafiadores”, como alguns pensam de diretores como Tarantino, ou similares, vamos ver esse contexto ultra-nacionalista surgindo. Se quiserem ver esse filme, recomendo, mas com os mesmos olhos que garantiram largos lucros e gentis olhos da crítica americana, derretida pelo filme e a  representação igualmente messiônica de Day-Lewis. Vão preparados para ver um dos “pais fundadores” de todo o papo de “liberdade” pré-século XX. Senão, sejam fiéis ao nosso sentimento nacionalista e esperem o “Blu-ray” no torrent mais próximo de vocês.




Comentários

  1. Murillo Jorge disse:

    Eu achei incrível a caracterização da personagem Lincoln. Todas as expressões que o ator criou para o personagem, os tiques, o jeito de respirar. Tudo isso sa tornava a figura Lincoln mais real, com ansiedades, medos.
    Outro detalhe é que eu não fazia idéia de que os republicanos ja tinham sido legais um dia. Um questionamento importante que o filme faz é o que aconteceu? Em qual parte da história os republicanos se tornaram guardiões da moral e dos bons costumes?
    No geral um filme muito bom, atores se esforçando para fazer figuras marcantes, que ao meu ver só peca ao se estender além do necessário.

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