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O Artista – Crítica

★★★★½

Lirismo de volta as telonas

Existem várias artes esquecidas/ultrapassadas dentro da sétima arte, que mesmo sucumbidas a indústria do cinema, deveriam ser relembradas. Um dos favoritos ao Oscar 2012 traz uma séria mensagem da indústria hollywoodiana: adaptem-se ou morram. Infelizmente os executivos tiveram todas as segundas intenções, e do pior tipo, ao enaltecer esse belíssimo filme ao topo. Independente de suas razões políticas, é uma história tocante, humana e num formato nunca antes visto, que merece muito ser assitida por jovens, adultos e velhos, pelos mais diferentes motivos.

Dujardin e Bejo... dando um beijo. HÁ! Não podia perder essa.

Em O Artista, o galã do cinema mudo, George Valentin, está no auge de sua carreira, até que se vê confrontado com uma nova e espetacular tecnologia da indústria cinematográfica: o cinema falado. Em reviravoltas com um casamento problemático e produtores inescrupulosos, ele tem que lidar com o fato de ser um ator de outra era, enquanto se encanta pela jovial e moderna Peppy Miller em uma história vibrante e cheia de reviravoltas.

Michel Hazanavicius... o homem do cinema mudo no século XXI

Antes de mais nada, me sinto obrigado a avisar a todos os colegas cinéfilos que este é um filme MUDO. Sim, é um filme sem falas audíveis, mas filmado em um estilo muito próximo do cinema mudo, só que com recursos do cinema moderno. Michel Hazanavicius aposta em um roteiro e direção totalmente não ortodoxos, dando margem para a atual indústria o usar como garoto propaganda de sua “nova” tecnologia, o 3D, mas com artifícios do cinema clássico. O filme é totalmente em 2D, não é que ele seja algo revolucionário no sentido tecnológico, só no sentido de como foi executado. O áudio surge como supresa, em momentos chave e com um significado todo especial, mas não se enganem, é inevitavelmente um filme mudo e feito de um cinéfilo para outros cinéfilos de verdade.

Berenice Bejo ao lado da rápida participação da lenda Malcolm McDowell

Talvez o maior mérito tenha sido em como Hazanavicius organizou e encaixou bem o elenco. No papel principal, o casal francês mais que desconhecido, mas não menos carismático, Jean Dujardin e Bérénice Bejo. Belíssimamente cativantes. Só perdem em carisma para o pequeno cachorro que interpreta o cão de Valentin. Como elenco de apoio, atores consagrados e também deixados para trás em suas respectivas décadas, como Penelope Ann Miller, James Cromwell, John GoodmanMissi Pyle, e até o eterno Alex, Malcolm McDowell. Todos dão o ar de sua graça e vão iluminar os olhares dos mais ligados na sétima arte, mas obviamente estão lá para não roubar o brilho do casal protagonista. E realmente impossível roubar a interpretação e carisma de Dujardin, um pomposo, orgulhoso e muito crível astro de Hollywood dos anos 20.

John Goodman marcou o filme com pura expressividade

O principal é ter em mente que não é um filme ortodoxo, mas tem boas chances com a Academia, por passar a clara mensagem de: ou vocês produzem/curtem filmes com novas tecnologias, ou sofrimento e esquecimento estão a sua espera na próxima esquina. Dogmático e tendencioso no contexto político atual, não tira de forma alguma o mérito de ser uma homenagem ao cinema como forma de arte e da crítica em relação ao seu implacável caráter consumista no meio Hollywoodiano. Valentin é o dilema entre o orgulho do antigo em relação a impetuosidade do novo. Não fosse um filme da presente situação, poderia representar a constante insatisfação das pessoas frente a seu tempo e frente as mudanças. Algo que lembra, de alguma forma, o recente e esnobado pela Academia, Meia-Noite em Paris.

Mamilos cinemistas a parte, a película é de uma singularidade que faz valer cada centavo do ingresso, especialmente se você for um apaixonado por cinema e se for avisado do seu caráter experimental e artístico. Mesmo assim, tem poder para agradar multidões, pois é um filme do retrato sobre o humano e conter tudo, desde cachorrinhos simpáticos a dramas de relacionamento, passando por ação e suspense, em suas devidas proporções.




Comentários

  1. Aderson disse:

    Meia noite foi esnobado? Uma indicação a melhor diretor e um Oscar de roteiro? Realmente esse é o verbo mais clichê quando se quer escrever um texto que envolva Oscar, mesmo não sabendo direito quando melhor empregá-lo.

    1. Fernando Quirino disse:

      Quem ganhou melhor diretor foi Michel Hazanavicius de O Artista, para esclarecer. E quando eu digo esnobado, digo em VÁRIOS sentidos, pois ele merecia muito mais atenção (entre indicações e prêmios), só que infelizmente não se encaixou no tema deste ano e, na verdade, destoou do tema principal, que era o de se adaptara as novas tendências, já que ele discutia em realidade o sentimento de deslocamento que temos em relação a nossa criatividade.

      Se você acha que a atenção de Meia-Noite em Paris foi suficiente e adequada, tudo bem. É opinião sua… mas, entendo que dizer que a escrita de alguém é clichê é realmente muito empregado quando não se sabe de onde uma pessoa está falando e se tem que criar um argumento sem fundamentos apenas para efeitos de trollagem. Volte sempre =D

  2. LanaBrasil disse:

    Gostei da crítica. Achei esse filme magnífico, surpreendente. Grande elenco e atuações, especialmente do talentoso ator John Goodman assim como em Treme, essa série cujo enredo acho super interessante, a forma como eles mostram a luta dos cidadãos para recuperar suas vidas, suas casas, sua cidade com a ajuda da música. Estou muito ansiosa pelo início da 3ª temporada.

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