http://www.cinemista.com.br/wp-content/uploads/2011/02/odiscursodorei1.jpg

O Discurso do Rei – Crítica

O Discurso do Rei

★★★★★

Descobrindo a força interior de um futuro rei e de um filme

Tão despretensiosa quanto sua premissa, é a narrativa de um filme que merece todos os aplausos. Um elenco fenomenal, muito bem empregado, conquista seu lugar ao sol dourado das estatuetas, com 12 indicações muito bem merecidas. Encontrando a sensibilidade e humanidade por detrás de um momento histórico delicado da cultura inglesa. Talvez em níveis maiores ou menores, para diversas pessoas, dependendo de sua identificação ou conhecimento do momento sócio-histórico que o filme retrata, O Discurso do Rei é uma jornada sutil e sóbria para todos seus espectadores.. como todo bom inglês geralmente se comporta.

 

O Discurso do Rei

Um rei sem voz... ou sem rumo?

O filme conta a história do rei Geoge VI, pai da atual rainha da Inglaterra, que lutava contra a gagueira durante a transição do trono para seu irmão Edward. Ele conta com a ajuda de um terapeuta de fala, com métodos pouco ortodoxos para a época, Lionel Logue. Ambos tem um duro desafio, quando Edward abdica do trono e George se vê forçado a assumir a coroa. A corriqueira simplicidade da premissa de início, esconde as reviravoltas e surpresas sutis ao longo de sua trama, mostrando como amizade e perseverança são capazes de muito mais do que simplesmente curar uma gagueira.

O Discurso do Rei

Tom Hooper, pouco conhecido das telonas americanas

Tom Hooper, que até pouco tempo atrás era diretor de séries britânicas, pega Hollywood de surpresa com uma história de natureza humana incomparável, no roteiro de David Seidler. Hooper tem naturalidade e desenvoltura suficientes com a história inglesa para guiar os personagens e a narrativa de forma sutil, com presteza e nobreza que talvez tenha faltado a outros filmes do gênero como o lendário A Rainha de 2006. Sim, não gostei tanto daquele filme, tendo revisto recentemente, em comparação com este. Porque apesar de ambos apresentarem momentos históricos, a forma de apresentar é muito diferente. Créditos para Hooper e Seidler, parceria de ouro. Palmas também para a mais sutil ainda trilha sonora de Alexandre Desplat.

O Discurso do Rei

A melhor e mais talentosa personificação de Churchil até o momento

No elenco, por onde começar? O prêmio de maior e melhor transformação tenho que dar para a aparição especial de Timothy Spall como Winston Churchil. Poucos conhecem o ator, talvez mais como Peter Pettigrew de Harry Potter, mas ele se transformou totalmente para seu papel como uma das figuras chave da Segunda Guerra. Palmas de pé. No resto, os principais são mestres. Geoffrey Rush parece ser bom candidato a uma estatueta, ao lado do favorito Colin Firth que é tão camaleônico quanto possível para um ator da escola inglesa. Helena Bonham Carter deu uma folga de suas vilanias no cinema para encarnar a rainha Elizabeth. Todos fantásticos, sem excessão. Talvez a maior estrela, seja a química entre Rush e Firth, dificultando saber quem na verdade é coadjuvante e quem é principal, já que Rush tem presença impositora ao longo de todo o filme.

O Discurso do Rei

Mais do que negócios, é verdeira "humanização"

Mas, nem só de sutileza e beleza vive a película. Ela é inspiradora a partir do momento que toca em todos os sentimentos infantis de insegurança e inadequação que podemos ter sentido em algum momento de nossas vidas. Por mais que nos cubramos de toda pompa, conhecimento e cerimônia, ainda temos aquelas feridas obscuras remoendo por dentro de nós, não nos deixando resolver essas angústias, dormir tranquilamente ou até… tirando nossa voz. O Discurso do Rei não é uma aula de psicologismo, é um tocante ao tratamento do ser humano como humano e não pelos seus rótulos. Sem tentar passar a “moral da história”, mostra quão longe as pessoas podem chegar se acreditarem uns nos outros, mais ainda do que em si mesmos. Por trás de um membro da realeza, está primeiro o garoto inseguro e oprimido durante toda a vida. Por trás do exímio terapeuta, está o ator falido e frustrado que tenta a todo custo viver seus sonhos. Todos os personagens mostram o que tem e o que gostariam de construir, nada mais do que isso. Sem grandes receitas de auto-ajuda.

O Discurso do Rei

Helena Bonham Carter dispensa comentários

O Cinemista deixa recomendadíssimo e aconselha que torçam pela película, mesmo que discretamente, durante a cerimônia da academia. Se não assistiram, aproveitem para dar uma olhada num fim de semana obscuro, ou até em um carnaval ocioso. O Rei agradece.




Comentários

  1. Leonardo disse:

    Rapaz, a verdade é uma só, eu fiquei emocionado assistindo esse filme. Merece todas as indicações… Muito bom mesmo. Geoffrey Rush mandou muito!

    1. Alice disse:

      Fiquei feliz pela escolha de "melhor filme", não pq seja o melhor filme mas por ter ganho do superestimado fabebook.

      Firth e Rush estão ma-ra-vi-lho-sos mas o Firth realmente deveria partir a estatueta no meio e entregá-la ao companheiro. Apesar de gostar muito da Helena, estava um pouco canastrona no filme

      A minha torcida estava pelo Cisne Negro mas valeu.

})(jQuery);