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O Espião Que Sabia Demais – Crítica

★★★★☆

O real Sherlock Holmes

Somente os britânicos dão conta de dar o verdadeiro toque noir nas histórias de investigação. Um thrillers sóbrio, maduro e calmo que faz mais pensar e criticar do que realmente focar em perseguições, tiros e pancadarias. Fugindo de toda a lógica do que é uma história de espionagem moderna, onde até James Bond é mais bruto que pedreiro na rage, a história baseado em renomado best seller se sai muito bem – não sei na adaptação, pois não li o livro – mas basicamente em ser inteligente, mas nada cansativa de se assistir, pois não deixa muito para o espectador mastigar também. De qualquer forma, ótima diversão e bem melhor que a média.

O Espião Que Sabia Demais pode ser um título que não agrade de início, traduzido de Tinker, Taylor, Soldier, Spy, mas a história de intriga internacional durante a Guerra Fria dos anos 70, serve de pano de fundo para uma história de um agente infiltrado nos mais altos escalões do serviço de inteligência britânico. Permeado por codinomes e um possível incidente internacional, um dos chefes do alto comando da espionagem, recém aposentado, é forçado a voltar secretamente a ativa para rastrear um possível traidor no projeto de espionagem mais secreto do governo inglês, recaindo as suspeitas sobre seus ex-colegas e grandes amigos, revelando todo tipo de segredos inesperados.

Tomas Alfredson, Deixe Ele Entrar... e fazer sua mágica britânica

Bingo para Tomas Alfredson, o diretor do bacana Deixe Ela Entrar – o original, não o remake yankee – que acertou consideravelmente em sua migração para o cinema mainstream, já que Deixe Ela Entrar foi mais um golpe de sorte ter se disseminado tanto com tão pouca publicidade. No filme, acerta bastante deixando coisas sutis no ar e outras tão bem retratadas na tela, com crueldade ou tão explicitadas nos momentos certos, uma quebrada no clima britânico e sisudo da história. Infelizmente, por percepção ou vícios próprios meus, talvez tenha achado o ritmo em certos momentos do filme um tanto quanto… descompassados. Talvez lento demais em momentos e apressado demais em outros, mas fora isso é uma obra sem igual. Como não li o livro, não comentarei o trabalho de adaptação de Bridget O’Connor e Peter Straughan no roteiro, mas posso dizer que boa parte dos diálogos foi interessante, apesar de não ter deixado muito espaço para o espectador encontrar a história no meio do caminho. Tudo bem “mastigado”.

John Hurt... O homem, a lenda.

O elenco não podia ser melhor. Encabeçado por ninguém menos que Comissário Gordon Gary Oldman, conta com novos talentos como Mark Strong ou o fodáximo Tom Hardy, até veteranos muito bem conceituados e até oscarizados como Colin Firth e John Hurt. Até a parte do elenco menos conhecida, como o eterno coadjuvante Toby Jones, são já experientes e letrados em seus papéis. Dá gosto de ver um elenco tão bem montado. Destaque para o revelação Benedict Cumberbatch, que interpreta o braço direito e escudeiro do personagem de Gary Oldman. Talvez as reviravoltas da história se encaixem tão bem por conta do elenco. Na verdade, tenho que ser sincero com vocês, pois sabia pouco ou quase nada sobre o filme, a não ser que tinha um elenco fodáximo e isso já é um grande atrativo.

Benedict Cumberbatch: Famoso ator britânico, mas apenas promissor novato deste lado do Atlântico

O fato de entrar totalmente despreparado e sem estar contaminado por todo hype que os outros entusiastas foram ver esse filme, me deixou mais cético a respeito. Mesmo assim, não estragou nada a diversão de desvelar essa história. É algo para adultos e não digo no sentido pornográfico ou de censura, mas no sentido de ser algo para um gosto maduro, não a hiperbolização de adrenalina e sensualidade imposta pelo cinema americano atual. Também não é uma obra prima reflexiva, já que se baseia mais no mistério, devidamente mastigado, do que em alguma reflexão política ou revelação pessoal. Mesmo apressados na construção, os personagens movimentam a história e dão sempre aquela pontinha de curiosidade, seja em seus mistérios ou seus dilemas, que nos deixam cada vez mais intrigados.

Tom Hardy em um visual meio galã homo-afetivo

De qualquer forma, essa trama que pode até se aproximar, esteticamente, das anedotas de Arthur Conan Doyle, nos leva para um período muito bem construído e para uma intriga de valor histório e pessoal, muito grande. Onde personagens são humanos e tramas são interessantes. Vale a pena cada centavo do ingresso. Lembrando que fará parte da Mostra O Amor, A Morte e As Paixões que vai acontecer no Cinema Lumiére Bouganville a partir de 26 de Janeiro e conta com vários outros títulos memoráveis.




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