O Filme dos Espíritos – Crítica

Publicado por Fernando Quirino. Postado em Crítica

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Publciado em 9 de outubro de 2011 com 20 Comentários

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★★½☆☆

Nem só de dízimo vivem os “céus”?

Aproveitando um largo nicho do mercado brasileiro, estúdios (cof Globo cof cof) decidem lançar mais um filme usando um clássico da literatura kardecista como base. O que esqueceram, foi de fazer um roteiro com diálogos no mínimo interessantes, escolher melhores atores e… basicamente, fazer um filme a altura de seus predecessores, como Nosso Lar e Chico Xavier. Infelizmente, com pouca publicidade e fatores fundamentais meio bambos, a película é uma grande promessa que poderia ter dado certo e nada além disso.

Chico Xavier is back in Chico 2 - A Revanche "The Enemy Withim"

O Filme dos Espíritos é uma história que conta as desventuras de um professor em psiquiatria, que se vê em um péssimo momento em sua vida, reflexo de decisões no passado e infortúnios recentes. A beira de um colapso e vítima do alcoolismo, ele se encontra com O Livro dos Espíritos, escrito por Alan Kardec em 1857, e com a ajuda de seu mentor da faculdade, tenta sair do fundo do poço no qual se encontra. E olha que, nessa premissa, ainda dei uma boa floreada.

Começo elogiando a fotografia mais do que interessante de Tiago Lage. Consegue ser simples, mas ao mesmo tempo impactante nas horas certas. Coisa muito rara no cinema nacional, casar planos quase Hollywoodianos, com a simplicidade de um cinema de baixo orçamento. No resto, podemos dizer que o roteiro mal acabado em diálogos, escrito por André Marouço, leva um tempo para engatar em algo emocionalmente relevante e, quando o faz, fica mais a cargo da competência dos atores do que do diálogo para que a coisa dê certo.

Felizmente, o elenco tem seus prós e contras, como em toda grande produção nacional. O excelentíssimo e inigualável Chico Nelso Xavier, faz um ótimo papel como psiquiatra, mentor e esclarecedor das questões espirituais. Quase um Chico 2 – A Revanche.  Já não se pode falar o mesmo do protagonista Reinaldo Rodrigues, que apesar de se esforçar na atuação, falta carisma necessário para o papel e um pouco mais de desenvoltura dramatúrgica. Do lado feminino do elenco, as coisas se encaixam melhor. A sempre carismática global Ana Rosa faz bom par com Xavier e a fofuríssima Briza Menezes é talvez quem realmente mais emociona em sua pequena, mas significativa, participação… Além de ser gata absurdamente. Maior choque, e que talvez você mal reconheça, fica por Luciana Gimenez em uma rápida aparição como madrasta do protagonista, bem envelhecida e extremamente antipática na sua personagem, que poderia ser considerada uma boa atuação, já que a personagem DEVE ser antipática. Fica a dúvida.

Luciana Gimenez sem maquiagem...

O fato é que o cinema de teor religioso é uma área um tanto quanto delicada de se avaliar. Considerando que estou levando em consideração tanto o lado dramatúrgico, quanto do roteiro e outros aspectos técnicos, mais em conta do que o aspecto mobilizante emocional do religioso, o filme não chegaria muito longe, apesar de em certos momentos a trama ser até levemente interessante. No resumo da coisa, não tem tantos aspectos positivos a se ressaltar, a não ser pelo fato de ver que existe um interesses de um dos maiores estúdios nacionais em financiar histórias, desde que levem esse público cativo ao cinema. É a indústria do cinema nacional se desenvolvendo mais uma vez, mesmo que de forma meio “torta”.

No frigir dos ovos, não sei se alguém desacostumado com a doutrina kardecista vai realmente se interessar com o filme, então recomendaria uma das outras trocentas opções muito mais divertidas na sala de cinema, mas se estiver procurando algo meio “além da vida” numa pegada mais bonitinha, talvez agrade.

Sobre Fernando Quirino

Psicólogo em formação e "cinemista" nerd de carteirinha.

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