O Vingador do Futuro – Crítica

Publicado por Fernando Quirino. Postado em Crítica

Tag: , , , , , , , ,

Publicado em 18 de agosto de 2012 com Nenhum Comentário

Compartilhe no Tumblr

 Poster de O Vingador do Futuro

★★★☆☆

Lembramos de tudo, até demais…

A obra baseada no conto ”We Can Remember It For You Wholesale” de Philip K. Dick – o qual aposto que nem 1 milésimo dos manolos, que criticam esse filme, leram – tem um problema relacionado a memória também. Enquanto faz muitas referências ao filme original dos anos 90, inclusive algumas bem bacanas, fica nos jogando na cara o quanto o filme original não se levava a sério e era uma diversão totalmente descompromissada, enquanto este tenta seguir a escola Nolan de realismo e acaba estragando um pouco a diversão.

Em O Vingador do Futuro, o mundo é devastado por uma gerra biológica e apenas dois blocos de mega-países se mantém, a Federação Unida da Bretanha e A Colônia, interligados por um sistema de transportes que passa por dentro da Terra. Para um operário da Colônia, chamado Douglas Quaid, apesar de ter uma bela esposa a quem ama, as palavras “viagem mental” soam como férias perfeitas de sua vida frustrante – memórias reais de uma vida como um super espião podem ser exatamente o que ele precisa. Eis que ele vai até a Rekall para um implante de memórias. Mas quando o procedimento dá errado, Quaid se torna um homem procurado. Encontrando-se foragido da policia – controlada pelo chanceler Cohaagen – Quaid conta com a ajuda de uma revolucionária para encontrar o chefe da resistência e deter Cohaagen.

Vingador do Futuro

Len Wiseman

Sabem quem dirigiria belamente esse filme? Sam Raimi. Tem Raimi escrito nessa história, que seria uma galhofa ainda mais intensa e divertida do que o original dirigido por Paul Verhoeven (Robocop, Tropas Estelares). Ao invés disso, Len Wiseman (Anjos da Noite) tenta dar mais veracidade e até uma visão econômica atual para o filme (States versus China, por exemplo) dentro de sua concepção visual. A ação ficou ótima, linda e impecável em todos os sentidos, tenho que dar o braço a torcer. Mas, não apenas o roteiro escrito por Kurt Wimmer (Código de Conduta) e Mark Bomback (Duro de Matar 4) simplificou demais o caráter político de crítica ao capitalismo feita por Philip K. Dick, como também ignorou o fator galhofa do filme original e transformou em algo novo, mas um tanto quanto monótono em termos de história. Quer dizer, já sabemos o que vai acontecer, temos que ter algo que amplifique nossos sentimentos, mas aparentemente o lado técnico do filme não chegou a esse ponto.

O elenco está de parabéns, na maior parte. Acho que a pior parte foi realmente o protagonista, Colin Farrell, que não convence como bom moço nesse papel específico. Nem acho ele tão horrível ator, mas o cara tem um histórico de escrotidão vilanesca nas telas que não tem uma justa transposição, como Schwarzenegger fez do primeiro Exterminador do Futuro para Vingador do Futuro original. Fora isso, toda a parte dramatúrgica está de considerável parabéns. Kate Beckinsale teve a chance de exercitar sua vertente vilã nesse filme, muito bem por sinal. Nunca senti tanta raiva de uma mulher tão bonita. Parabéns. Outra jogada MUITO importante foi unificar os papéis originais de Michael Ironside e Sharon Stone no papel de Beckinsale, criando uma única antagonista feminina, forte e implacável. “Me gusta”.  Jessica Biel também é Jessica Biel, além de carismática, a mais linda na tela, consegue entregar o que seu limitado papel exige, além de ser uma grande evolução a partir da atriz que originalmente interpretou seu papel, Rachel Ticotin. As aparições pontuais de Bryan Cranston e Bill Nighy só fizeram enriquecer o elenco de forma positiva.

Minha maior revolta com esse remake foi a idéia de, com a perda da galhofa, perdermos coisas importantes, como Quato. Eu sei, é uma bobagem, mas me apeguei naquele boneco ridículo que, na época, era uma revolução dos animatronics. Mas, falando sério, boa parte do caráter político se perdeu com a história de Marte sendo convertida para uma guerra biológica. Ao tentar levar o filme a sério demais, acabaram perdendo a mão e tentando fazer absurdos, como viajar no núcleo derretido da Terra, algo respeitável e plausível. Não é, e acho um insulto a inteligência do espectador tratar isso com seriedade. O próprio conto original envolve invasão alienígena e outras bizarrices como aparelhos leitores de mente. A idéia é realmente não se levar a sério, enquanto seriamente discute as barreiras entre sonho e realidade. Se o primeiro filme tivesse sido feito por outros diretores e 10 anos depois, se chamaria Matrix… oh, wait!

Apesar dos pesares, o filme ainda é boa diversão com bastante ação e uma coordenação de cenas que beira ao balé clássico do filme de ação oitentistas. Sacadas como os celulares implantados – bacanas, porém tão improváveis quanto o aparelho de gps do tamanho de caixa de sapato do primeiro filme – dão umas idéias legais e um conceito bem divertido para O Vingador do Futuro. O carisma dos atores, as idéias high-tech e a ação realmente fazem valer a entrada, talvez a pipoca, com esses preços absurdos… Mas com certeza é uma opção se quiser deixar o cérebro em casa.

Sobre Fernando Quirino

Psicólogo em formação e "cinemista" nerd de carteirinha.

Outros artigos escritos por Fernando Quirino

Comente. Seu comentário é nossa motivação.