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O Vôo – Crítica

★★★½☆

O fetiche americano pela decadência

Não é segredo o extenso prazer dos americanos por explorar suas tragédias de formatos catastróficos em grandes epopéias a desgraça. Se colocar desastres aéreos então, nem se fala. Documentários, reality shows e até filmes inteiros passados dentro de aviões e suas respectivas quedas. O Vôo começa como um desses filmes, mas fala mais sobre a decadência pessoal, o vício, as mentiras e como elas afetam mais do que qualquer droga. Uma história forte, não fosse uma narrativa um tanto quanto arrastada.

O Vôo

Em O Vôo, somos apresentados ao capitão Whip Withaker, um piloto comercial que aterrisa miraculosamente um avião de passageiros com mais de 100 pessoas a bordo e um mínimo de fatalidades, em um pouso forçado quase inacreditável. Mas, ao longo do tempo, o piloto terá que se esquivar dos problemas causados pelo alcoolismo e pelo seu comportamento imprudente antes e depois do acontecido, em um drama pesado e contundente.

O diretor  é bom em capturar sentimentos e suas aventuras lúdicas me admiram até hoje, anos depois. Infelizmente ele tem uma certa facilidade em se arrastar nos dramas. Serei eternamente grato por seu trabalho em De Volta Para o Futuro, sem dizer que ele lida muito bem com fantasia e sci-fi, mas seu toque para o drama não é o melhor. A pesar de dirigir bem os atores, o roteiro de  “baseado em fatos reais” lhe joga um drama pesado sobre alcoolismo no colo, que ele ativa como começos e finais épicos, mas um recheio no mínimo simplório. É um sofrimento, mas acaba se tornando mais um sofrimento na sua direção e edição. Muito potencial.

O Vôo

Por outro lado, o elenco é de uma eficiência sem limites. Denzel Washington sempre se supera quando tem quer interpretar o fundo do poço. Tá aí seu Oscar de Dia de Treinamento que não me deixa mentir. Agora, fiquei muito feliz com a atuação da pouco conhecida Kelly Reilly no papel da viciada Nicole. Simpática e visivelmente perturbada, além de uma belezura. Já gostava dela como mulher do Dr. Watson em Sherlock Holmes. Entretanto, nada se compara a curtíssima mas fenomenal aparição de John Goodman no filme. Ele tem pouquíssimo tempo de tela, mas com certeza me deu uma das cenas mais memoráveis do filme. O resto bateu ponto, mas foi bem.

O mais impressionante se manteve em cenas chave do filme, como o embate contra o alcoolismo, ou a fantástica cena de abertura com o famigerado desastre. Simplesmente emocionantes em vários sentidos. O único problema é que não é apenas o alcoolismo e uma boa atuação que seguram um filme, o caráter humano de um roteiro tem que ultrapassar a simpatia e o sofrimento. Se fosse fácil um bêbado ganhar uma estatueta, seria fórmula garantida todo ano. Nicolas Cage que o diga. Além disso, a história tem que ter um apelo especial que vá além de um charmoso beberrão se recusando a reconhecer seu vício.

Mesmo assim, O Vôo é um filme bem decente, só não acho que seja excepcionalmente feito para o cinema, apesar da sequência de abertura ficar muito bem na telona. Se quiserem aguardar um lançamento em vídeo, on demand ou na própria TVzona, fiquem a vontade. Não julgarei vocês. Até porque, o passo frenético do trailer vende ele muito mal, dando a impressão de um filme de ritmo acelerado, quando na verdade é bem lento. De qualquer forma, é um filme que vale muito a pena ser assistido, pelos pontos já mencionados.




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