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Os Miseráveis – Crítica

Os Miseráveis

★★★★☆

Eu sonhei um sonho… de um trailer honesto.

Tantas perspectivas e coisas a discutir sobre a adaptação “indireta” da magnífica obra de Victor Hugo, Les Miserábles. A verdade é que um livro de grande importância cultural e política, Os Miseráveis foi praticamente chacinado de país em país (França – UK – States) para se tornar um dos produtos de maior vendagem da Broadway em todos os tempos, a peça musical – a qual admito, não assisti – que traz o singelo apelido de “Les Mis”. O grande problema foi em mais uma de suas dezenas de adaptações cinematográficas, filmada de uma forma inusitada, que apesar de não ser revolucionária como anuncia, foi bem conduzida na forma de capturar as atuações, ponto alto do filme.

Os Miseráveis

Os Miseráveis tem altos e baixos, mas conta a história através de anos de personagens da França do século XIX. O filme gira em torno de Jean Valjean, um homem preso por 19 anos por roubar um pão para salvar a vida de seu sobrinho, que é colocado em liberdade condicional, mas continua sendo perseguido pelo Capitão Javert através dos anos e mostrando eventos como os motins de 1832 e se envolvendo com uma série de outros personagens ao longo desse período. Uma jornada de sofrimento, amor, idealismo e redenção.

Os Miseráveis

Demos uma resumida no enredo, o que é quase um sacrilégio com a obra de Hugo, mas necessário, assim como os produtores de um dos musicais mais antigos do mundo acharam necessário a muitos anos atrás na França. A verdade é que de inovador tem muito pouco, a não ser a tentativa do diretor Tom Hooper de adaptar um formato não visto com bons olhos no cinema, o teatro musical estilo ópera. Caso não saibam, o formato comum de filme musical veio logo após o som no cinema, onde o filme, com enrredo tradicional e geralmente de comédia romântica, é interrompido ocasionalmente por um número musical curto. O formato mais tradicional dramatúrgico, a séculos, como as óperas, trazem longos esptaculos quase totalmente cantados, divididos em dois ou três atos principais, com intervalos. Então qual o grande problema? Vários, desde a edição, até o fato de que filmes não tem intervalos. Uma história tão rica como Os Miseráveis, não pode e nem deve ser resumida. Isso faz com que o espetáculo de ópera traduzido para o cinema seja um trabalho duro e ingrato.

Os Miseráveis

Hooper tentou, fazendo com a “captura de áudio” no local, criar uma técnica inovadora. Isso é uma pequena mentira, já que não usaram exatamente o áudio in loco, mas sim uma versão aproximada. Mesmo assim, a técnica conseguiu uma atuação maravilhosa e até mesmo promete um Oscar para a grande atriz Anne Hathaway, ponto mais forte do filme, ao lado de seu colega Hugh Jackman. Sim, a técnica de Hooper pode não ser revolucionária, mas é uma grande ajuda a captura de sentimento dos atores. Boa direção de elenco. Isso sem falar no excelente departamento de figurino e cenografia, ou seja, toda a parte artística de design, que fez um trabalho mais que perfeito. Também temos músicas basicamente impecáveis interpretadas por ótimos atores que são também bons cantores. Na minha opinião, um ótimo segundo lugar está na interpretação da pouca conhecida Samantha Barks, que faz Éponine e o segundo número mais impressionante depois de Hathaway, na minha humilde opinião.

Os Miseráveis

Samantha Banks, quase desconhecida, portanto… fiquem de olho

Então onde estão os erros e o forte ataque do público se focando? Primeiro a escolha de adaptar um livro tão rico como Les Miserábles. Transformar uma obra de cunho histórico e político tão forte, uma voz de levante de esquerda, em uma manobra ideológica de direita, onde revulcionários são infelizes que estão fadados ao fracassos e atingem a alegria apenas quando mortos, é no mínimo um pecado de proporções épicas. Dito isso, o grande problema está no aporte cultural do grande público, que não está preparado para: 1) Um espetáculo do estilo opereta 2) Um grande espetáculo musical sem intervalos. Desde o começo do filme, onde crianças perguntam nas poltronas próximas “vai ser o filme todo assim?” até os suspiros de alívio de grande parte da público no cinema ao final do filme… Uma única palma solitária durante os créditos dita a realidade que vivemos. Grande parte do público consumidor de Hollywood dificilmente está preparado para ir ao cinema atrás de Mulher Gato, Wolverine e o Gladiador e ficar legitimemente impressionado por “I Dreamed a Dream” de Fantine interpretado por Hathaway. Desculpe, mas acredito realmente que essa seja a realidade culutural do público que consome esta indústria.

Os Miseráveis

Já que Hooper pretendia seguir a idéia da Broadway e mutilar a obra de Hugo, poderia ter se aproveitado de uma melhor edição e de transpor o formato musical teatral para o musical cinematográfico, não fazendo nem um drama como o último de 1998 e nem uma peça de Broadway filmada. De qualquer forma, o trabalho audivisual é quase impecável e apesar do cansaço de quase 3 horas de música ininterrupta, são belíssimas músicas com interpretação singular… Com exceção de Russell Crowe, que não parecia muito confortável com a cantoria. É um filme bonito, tocante e… lírico? Torcendo por Aninha no Oscar e, principalmente, recomendo se gostarem muito de musicais da Brodway.




Comentários

  1. eu particularmente nao gostei da atuação da Anne neste filme, deu pra percebe o foco na musica “dream dream” mudou o som de fundo, veio um pianinho mudou tudo e as outras musicas de igual importância ficaram perdidas misturadas na opera. Gostei da atuação do jackman, ele merecia um papel mais elaborado que wolverine, ele é um otimo ator e foi muito bom em “les mis”. Achoque a emoção do filme ficou meio perdida nesse “resumão”, quando chegava nos momentos altos da emoção já mudava de cena. Gosto do estilo opera que foi feito, porem as pessoas ainda não estao acostumada com filmes feito deste modo, é uma questão cultural. Analizando no geral e vendo as questões de “possibilidade” o filme ficou muito bom, porem eu trocaria a Anne

  2. totalmente ridículo, tem um elenco q salvou particularmente a metade do filme .-. se n fosse por eles..

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