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Rio – Crítica

★★★★☆

Brasil exporta algo que não é violência

Normalmente chegaria com algumas pedras na mão com a produção, que apesar de extremamente divertida e bem produzida, tem as suas falhas, mas o fato de Carlos Saldanha estar exportando uma imagem do Brasil que – apesar de não muito fidedigna – é melhor do que tráfico, violência, presídio e policais facistas, já merece altas estrelas por si apenas. Uma aventura divertida que te faz esquecer do Rio de verdade e afundar em um bom divertimento para todas as idades, no melhor estilo Saldanha de animação.

 

Elenco de peso, animação não falta.

Rio conta a história de Blu, uma arara azul que é capturada por contrabandistas de aves e se perde nas gélidas planícies de Minnesota. Adotado pela simpática e nerdíssima Linda, eles acabam se tornando o melhor tipo de amigos que uma garota uma arara podem se tornar. Eis então que um belo dia, oferecem a oportunidade de Blu acasalar com outra belíssima arara azul e perpetuar a espécie, mas eles teriam que viajar para o Rio de Janeiro. Eis então que a aventura começa aos trancos e barrancos com uma ave da fauna brasileira que tem pavor de voar, mas muito gingado no pé.

Saldanha usa todos os elementos necessários para configurar seus grandes sucessos. Os personagens são visualmente muito bem trabalhados para cativar o público. Fico imaginando que suas habilidades na direção de modelagem e desenvolvimento cgi poderiam levar a Disney/Pixar a novos níveis. Infelizmente, se aventurando pelo 3D, ficou um pouco limitado a algumas sequencias, que apesar de fantásticas, não chegaram a ser uma imersão completa através do filme. As cenas de vôo ficaram belíssimas em momentos, mas praticamente 2D na maior parte do tempo. Falta de prática talvez? De qualquer forma, 10 pelo esforço.

Leslie Mann e Rodrigo Santoro no elenco humano.

Coitado, nem dublando Rodrigo Santoro engana. =/

O elenco faz a festa. Em cópias dubladas e legendadas no Brasil, recomendo a legendada para os “grandinhos” pois algumas piadas podem se perder. Apesar de que, ver uma aventura no Rio toda em português tem seu valor. No lado intrigante, Rodrigo Santoro faz participação especial como o pesquisador brasileiro Túlio, provando que nem como dublador ele faz um trabalho muito bom. Coitado. De resto, Leslie Mann surpreende como Linda e o elenco aviário se torna ainda mais espetacular. Jesse Eisenberg sabe soar nerd e não precisa fazer esforço para interpretar o desajeitado Blu, enquanto Anne Hathaway prova que sabe cantar e dublar como ninguém no papel de Jade. A outra grata surpresa da festa são a dupla Jamie FoxxWill i Am como os musicais e animados pássaros Nico e Pedro. Inclusive, interpretam uma das melhores músicas do filme. George Lopez sempre simpático como o tucano safardano Rafael. Escolha de elenco primorosa, devo dizer.

Jamie Foxx e Will I Am

Nico e Pedro - musicais e surpreendentes

De resto, uma pequena falha fosse talvez abusar demais das músicas. Reduzindo a 3 músicas em todo o filme, teria sido uma ótima escolha e grande material de publicidade. Fiasco e vergonha alheia a música do vilão. Truque Disney de 10, 15 anos atrás que já caiu em desuso. Mas, fora isso, a história é cativante e nos mantém presos na telona, mesmo sabendo que muito do que se criou alí é fantasia do imaginário gringo. Todos sabem que o Rio não fecha todas as ruas no carnaval – nem poderia, uma cidade daquele tamanho – ou que qualquer cidadão da cidade carioca sabe falar inglês fluentemente, mas deixamos isso de lado em nome da arte. Os furos no roteiro são aceitáveis pois servem a um bom propósito, mostrar a musicalidade, hospitalidade e calor humano que o brasileiro tem a oferecer. Alguns se ofendem com os símbolos nacionais mostrados, como as favelas, a bunda ou as mulatas, mas… convenhamos, Saldanha foi bem conservador nesse ponto.

Climax na Sapucaí

Propaganda do que há de melhor...

Ponto para a diversão e entrosamento do elenco, contra por uma certa falta de experiência no 3D, excesso de músicas e falta de profundidade na história. Muito a aprender com Dreamworks ou a Disney… De qualquer forma, é entretenimento de primeira e recomendado a todas as idades já que é simples e fácil de ser compreendido por todos. Boa opção para a família na Páscoa.




Comentários

  1. Leticce disse:

    Eu ri sobre o Santoro…já era de se esperar. Mas vou ver esse filme, sem duvidas!

    1. Fernando Quirino disse:

      Apesar dele, a animação é bacaninha. hehehe

  2. Ygor disse:

    Entretenimento de primeira mesmo!!! Vc disse bem a musica do vilão causa sim vergonha alheia rss, mas as outras musicas pela contexto musical do pais e tal achei uma boa sacada, visualmente encantador, intenso, a falta de profundidade na história não acho que seja falha mas opção, de todo modo gostei bastante do longo.

    abraço!!!

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